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quarta-feira, março 30, 2011

Amor, estranho amor


Em resposta a um leitor que assinou como anônimo, aqui no blog. 
Somos brasileiros e é de nossa natureza esquecermos de tudo, e acreditem, Xuxa mudou toda uma linguagem na TV, falou de igual para igual com as crianças, como nunca visto antes, durante e depois. Enfrentou todo tipo de preconceito (e ainda enfrenta!). Muito disso por ser mulher. Muito mais por ser uma linda mulher. Cresceu, amadureceu. A carreira não segue a forma meteórica dos áureos tempos do Xou da Xuxa,  mas somam-se quase 30 anos de carreira só como apresentadora (de sucesso!). A TV dos machões se curvou a beleza e ao carisma da loira. Nunca houve uma mulher como Xuxa. Fato!
Querido Anônimo (por que não assinar seu nome verdadeiro?), 
você pode até não gostar de Xuxa (é um direito seu! De repente até eu posso estar enganado, nunca se sabe!), mas o que ninguém pode esquecer é a história por ela só. 
Para atacar alguma pessoa temos que conhecer toda a sua história.


"Se você assistir ao filme Amor, estranho amor (de Walter Hugo Khouri ), ficará chocado com a exposição do jovem ator a cenas de conteúdo bastante erótico mas, se você se permitir adentrar àquele universo, verá que tudo aquilo se punha como necessidade do enredo proposto e imaginado pelo dramaturgo. A história é sobre um homem já maduro que, em flashbacks, recorda sua iniciação sexual aos 12 anos, quando fora devolvido à sua mãe, que morava e trabalhava como prostituta de luxo em um casarão de São Paulo.
Hugo é exposto à volúpia das prostitutas do local, que não poupam ousadia e insinuações para com ele, prontamente transformado em objeto de desejo de todas elas. É complicado pensar que um roteiro desse conseguisse aprovação pra ser rodado hoje em dia. Mas, à época, "Amor, estranho amor" trazia uma proposta que foi recebida pelo público de maneira diferente. Não se trata de uma "pornochanchada", como já vi ser rotulado em vários sites da rede. É, antes, um filme sensual e chocante, na mesma linha do genial Nelson Rodrigues, explorando o subconsciente sexual das personagens; permitindo que elas dêm vazão aos seus mais inconfessáveis desejos. Sob esse ponto de vista, criticar o filme de Khouri por sua "obscenidade" é o mesmo que atirar pedras contra a riquíssima e insólita produção de Nelson Rodrigues pela pornografia que encerra, tão necessária ao contexto em que se insere e no universo que pretende instaurar para o leitor.
O que estou querendo dizer é que se trata de um propósito artístico, e não de pura e injustificada pornografia como todos querem fazer parecer.
Faço tal introdução para entrar nos méritos da participação de Xuxa nessa produção.
Para quem não sabe, o filme foi rodado em 1979 e lançado para o mercado apenas em82. À época de sua filmagem, Xuxa ainda estreava como modelo e nem sonhava com uma carreira televisiva voltada para o público infantil. Anos mais tarde, totalmente envolvida com o trabalho para crianças e preocupada com a repercussão negativa que o filme teria para a sua imagem, a apresentadora buscou, por intermédio da lei, impedir a circulação e a comercialização da película, sendo atendida em sua requisição e tendo sido estipulada uma multa bastante alta à produtora, caso não cumprisse a decisão judicial.
Hipocrisia? Não. Xuxa nunca negou - nem poderia! - sua participação nesse filme e sempre tratou dele como mais um dentre os vários trabalhos voltados para o público adulto que fez em seu início de carreira como modelo.
Em entrevista a Amaury Junior, Xuxa revelou que seu único ressentimento em relação ao filme foi que, de repente, quando ela alcançou o estrelato junto ao público infantil, as pessoas transformaram "Amor, estranho amor" num filme "da Xuxa", quando, na verdade, os protagonistas eram Tarcísio Meira, Vera Fischer e o próprio menino, Marcelo Ribeiro. O fato pode ser comprovado pela mudança do cartaz utilizado para o filme: o original trazia Marcelo, de braços cruzados, com o título da obra. Depois do estouro de Xuxa na TV, o cartaz utilizado passou a ser o que vocês vêm abaixo, com a figura de Xuxa devidamente destacada da dos demais, em colorido.


"Amor, estranho amor" passou a funcionar como uma afronta ao trabalho infantil de Xuxa, ao mesmo tempo em que se valia de descarado oportunismo para ganhar os mercados nacional e internacional.
Com todas as ressalvas necessárias - confesso que me incomoda muito ver um pré-adolescente em cenas tão eróticas! - acho exagerada a reação das pessoas em relação às cenas de Xuxa com o garoto. Insisto: há um contexto. E, em última análise, julgar a apresentadora por um papel que fez no cinema seria o mesmo, por exemplo, que execrar Patrícia Pillar, atriz que eu amo, por ter feito uma personagem sórdida como a Flora, de A Favorita! Loucura pura! Patrícia NÃO É Flora, como Xuxa NÃO É Tamara! Se as pessoas não conseguem ver com bons olhos a participação de Xuxa neste filme, deveriam, ao menos, ter a lucidez de separar uma coisa da outra.
Em começo de carreira, o papel no filme foi um excelente divulgador para Xuxa, que teve a oportunidade de contracenar com grandes nomes da nossa dramaturgia. Recusar seria bobagem! Qual modelo não gostaria de, naquela época, ter tido a mesma oportunidade?
Verdade é que "Amor, estranho amor" já teria caído no esquecimento não fosse o fato de Xuxa ter feito parte de seu elenco. Fosse qualquer outra atriz em seu lugar, no mesmo papel, e o circo todo jamais teria se armado durante tanto tempo, rendendo tanta polêmica e discussão infundamentada.
Cansei de ver as pessoas fazendo observações maldosas, desferindo xingamentos ou mesmo se valendo de pseudoexorcismos para condenar Xuxa por sua participação nesse filme.
Concordo que o papel nada tem a ver com o trabalho que decidiu fazer posteriormente, mas como é que ela poderia adivinhar que, anos mais tarde, se tornaria a "Rainha dos Baixinhos"?
Às pessoas todas que insistem em emitir julgamento sem conhecer de verdade os fatos e sem atentar para os pormenores artísticos que eles envolvem, aconselho apenas o seguinte: vão ler, vão estudar, vão se aprofundar um pouquinho na literatura de boa qualidade pra ver quantas formas há de se tratar de um assunto tão delicado quanto rico como é a sexualidade humana, mola-propulsora da ação no enredo desse filme.
Vão conhecer um pouco melhor o que é o trabalho dos atores e das atrizes, que não necessariamente concordam com aquilo que fazem em cena, mas o fazem por força de um trabalho e de um propósito maior que está por trás daquilo.
Reflitam: dá pra julgar o caráter de um ATOR ou de uma ATRIZ a partir dos PAPÉIS QUE ELES REPRESENTAM? Se for assim, coitada da Beatriz Segall, que deu vida à maquiavélica Odete Roittman!
Bom senso não faz mal a ninguém, hum?
E se depois disso tudo, ainda houver quem fale bobagem, despeço-me com um sábio provérbio chinês que sentencia o seguinte:

"Quando for dizer alguma coisa, pense bem se o que tem a dizer é mais importante que o SILÊNCIO."

Pesquisa e texto: http://anavedaxuxa.blogspot.com

2 comentários:

  1. Nossa excelente texto! Não sou grande fã da Xuxa mas é inegável o poder que ela possui e o quão boa apresentadora ela é. Eu também entendo o porque dela ter feito este filme e o porque dela depois ter tentado "apagar" ele. Só acho que hoje em dia, ela poderia liberar o filme, até mesmo pelo fato dela ter uma carreira sólida e o filme ser algo normal. Argumentos a favor dela, ela tem e muitos. Enfim, qualquer hora eu vejo pra valer este filme! rs

    []s

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  2. Agradecemos a menção aqui em seu blog!
    Só para constar, o NAVE DA XUXA tem vários outros textos sobre a Rainha que podem interessar aos fãs! Façam-nos uma visita para conferir!
    Grande abraço!

    Equipe do NAVE DA XUXA.

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